CSN: envolvimento político além da delação de Palocci

A empresa é alvo de constantes reclamações dos funcionários, paralisações marcam os protestos por melhorias nas condições de trabalho. Acidentes são recorrentes. Faltaria investimento no lugar certo?

O juiz da Lava Jato Antonio Bonat disponibilizou nessa terça-feira (03/09/2019) o vídeo da delação do ex-ministro da fazenda Antonio Palocci. Na delação, Palocci denúncia a Companhia Siderúrgica Nacional.

Em meio a empresas envolvidas no pagamento de caixa dois, a CSN injetou, segundo Palocci, R$ 14 milhões a mais na campanha de 2010 de Dilma Rousseff (PT) à presidência.

Palocci segue contando que Benjamin Steinbruch, presidente da CSN, teria pedido a Marcelo Odebrecht realizasse o pagamento devido a dificuldade da empresa fazer caixa dois, como tinham obras em comum a compensação seria realizada através dessas obras.

O ex-ministro ainda detalha a existência de um processo, afirma que está anotado como anotação. Na “Planilha Italiana” (italiano aço) teria o pedido de Steinbruch à Odebrecht.

Marcelo Odebrecht já tinha confirmado em sua delação que repassou R$ 14 milhões a Palocci e R$ 2,5 milhões a Paulo Skaf a pedido de Steinbruch. Ele confirma o compromisso de repasse de doações do PT nas eleições de 2010 e confirma que o reembolso foi realizado através de contratos com a empresa CSN para a construção de uma fábrica de aço. 

Exportadoras como a CNS e a Braskem, controlada pela Odebrecht, conseguiram parcelar em até 12 vezes as dívidas fiscais. O parcelamento foi possível pela MP (Medida Provisória) 470, chamada Refis da Crise.

Na mesmo época da crise econômica mundial (2009) as dívidas da CSN e Odebrecht chegavam a cerca de R$ 200 milhões de reais, segundo o ex-ministro.

Benjamin Steinbruch é CEO da Companhia Siderúrgica Nacional desde 2002; a empresa fora criada pelo presidente Getúlio Vargas em 1941 e privatizada por Fernando Henrique Cardoso em 1993. Steinbruch tem uma fortuna estimada em R$ 980 milhões de reais.

Steinbruch e o governo petista

A ferrovia Transnordestina, que começou a ser construída em 2006 no governo Lula deveria ter sido entregue em 2010, com consumo de R$ 1,075 bilhão foi abandonada em setembro de 2013 quando o contrato com entre a Odebrecht e a  concessionária Transnordestina Logística S/A rescindiu.

O governo federal, que era responsável pela construção, alegou falta de verbas e o projeto foi entregue para a CSN que lançou a empresa Transnordestina Logística S.A como concessionária da obra. O governo prometeu garantir financiamentos através de bancos e órgãos públicos.

De acordo com o site Agência Infra, Steinbruch apresentou ao governo um plano de retomada dos investimentos na ferrovia, afirmando que as obras reiniciariam ainda esse ano e o investimento estimado é de R$ 200 milhões. Informa que nos dados apresentados no ano passado a concessionária já havia gasto R$ 6,2 milhões e ainda faltariam R$ 6,7 milhões para construir os 48% restantes da obra.

Ainda de acordo com o site em 2017 uma auditoria do Tribunal de Contas da União constatou que órgãos federais teriam colocado dinheiro desproporcional e devido a isso ficou proibido recursos para o projeto. Já em 2018 a Agência Nacional dos Transportes Terrestres abriu um processo de descumprimento de contrato, o que causou anulação da concessão; o processo segue em aberto.

Em março de 2012, a então presidente, Dilma Rousseff se reuniu com os 28 maiores empresários e banqueiros do Brasil no Palácio do Planalto para discutir investimentos, principalmente na área de infraestrutura. Ricardo Steinbruch, irmão de Benjamin, estava entre eles representando a CSN.

Steinbruch sempre esteve acompanhado de integrantes governamentais e seus próximos, como exemplo Ciro Gomes, ex governador do Ceará, que foi responsável pelo projeto da Transnordestina entre 2015 e 2016. O presidente da metalúrgia se filiou ao PP no ano passado e foi cogitado como vice, o que não aconteceu.

Paulo Caffarelli, que foi ex-secretário da Fazenda, foi contrato para assumir a diretoria financeira da CSN, ficou no posto até 2016 quando assumiu a presidência do Banco do Brasil.

Marconi Perillo, ex-governador de Goiás, que foi preso ao prestar depoimento à Polícia Federal sobre a Operação Cash Delivery também foi contrato pela Siderúrgica através da sua empresa MV Assessoria. (Perillo estava envolvido em um suposto repasse de R$ 10 milhões da Odebrecht em suas campanhas para o governo em 2010 e 2014).

ANTT pode tirar CSN da concessão da Transnordestina

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) publicou no Diário Oficial da União uma decisão que propõe ao Governo Federal a caducidade do contrato de concessão da Ferrovia Transnordestina Logística S/A – que pertence a CSN. 

A comissão responsável verificou o descumprimento de obrigações contratuais no trecho “Malha I” que tem 495 km de extensão.

Informações do jornal Foco Regional.

Saiba quais são as empresas e pessoas doadoras ao governo petista:

  • CNS 
  • Vale do Rio Doce – R$ 4,05 milhões em 1997 (por meio das empresas Caemi e Minerações Brasileiras Reunidas)
  • Camargo Correa
  • OAS
  • Andrade Gutierrez
  • Itaú
  • Bradesco
  • ABN AMRO Real
  • Unibanco (comprada pelo Itaú)
  • Gerdau
  • Cutrale
  • Coopersucar
  • Cosan
  • Caeté
  • Moema
  • Dedini
  • Cerradinho
  • Pedro e Alexandre Grendene
  • Eike Batista
  • Luma de Oliveira 
  • José Sérgio Gabrielli
  • Ildo Sauer
  • FSTP Brasil
  • Companhia Nacional de Dutos
  • Guido Mantega
  • Luiz Fernando Furlan

TOTAL DE R$ 93,4 MILHÕES ARRECADADOS.

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