Acessibilidade corrosiva: a internet como mecanismo de destruição

Com a modernidade e o avanço do capitalismo, um maior número de pessoas puderam ter acesso a ferramenta mais utilizada no mundo: a internet. Mas, o que deveria ser aprendizagem se transformou em perversidade.

O primeiro acesso a internet no Brasil foi em setembro de 1988, quando o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), no Rio de Janeiro, conseguiu acesso à Bitnet estabelecida com a Universidade de Maryland, através de uma conexão de 9600 bits. Seguida, dois meses após, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que conseguiu o mesmo acesso, em seguida a Fapesp, criou a rede ANSP (Academic Network at São Paulo), interligando a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Mais tarde, ligaram-se à ANSP a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).

Os anos passaram e os avanços também. Em 1994 a Embratel começou, em caráter experimental, o serviço de acesso a internet, 5 mil pessoas foram selecionadas para aplicação do teste. Somente em 1995 ficou consolidado o serviço prestado.

Quem se lembra do barulho da discagem de internet? Tinham horários específicos para conectar, após a meia noite era de graça, em outros horários era paga, se estivesse no horário de pico a rede não conectava ou caía sem parar. 

Mais um tempo se passou e chegaram os jogos onlines, as redes sociais de conversa, como mIRC, MSN, Orkut e assim por diante. Nos anos seguintes surgiram os acessos ao Google, YouTube, Facebook. Inúmeros grupos de estudos e pesquisas eram formados, os temas eram os mais variados possíveis, desde os mistérios egípcio até as teorias sobre o universo, extraterrestres e assim por diante. Haviam grandes comunidades. 

Em 2012 começa o uso de internet para formar grupos políticos. Discussões, encontros públicos, pequenas manifestações começavam a surgir. Até chegar o estopim das manifestações pelo aumento da passagem do metrô, em São Paulo, até o impeachment da então presidente, Dilma Rousseff. 

Ao alcançar esse período, as pessoas descobriram os mecanismos de busca e pesquisas avançadas. Plataformas de cursos gratuitos tomaram a internet, livros em PDF, vídeos antigos, aulas online, o Brasil avançou em larga escala e alcançou quase toda população, que por sua vez acessava a internet no celular, no computador próprio ou em lan houses, que eram populares nessa época.

Porém, houve uma regressão! O que seria o ápice do conhecimento criou uma geração de sofomaníacos. As pessoas perderam o interesse em estudar dados concretos e artigos sérios e sintetizaram seus conhecimentos no que é dado pronto, o famoso fast food virtual, sem critérios de análise ou base de pesquisa, simplesmente creem no que a figura representativa lhes diz. 

Propagação de desinformação, contrariedades as ciências médicas, químicas, físicas, psicológicas, filosóficas, administrativas e assim por diante. Profissionais sendo substituídos por uma pesquisa rápida ou por uma orientação dado em um vídeo aleatório.

Pessoas sofrendo os danos desses atos. Danos físicos e emocionais, que vezes perpetuam por toda a vida.

Uma crescente rede de exposição, pornografia e de pedofilia. Jovens e crianças sendo expostas e colocadas à venda numa vitrine virtual, onde se encontram os predadores nefastos e nesse acesso se sentem seguros para despejar toda sua crueldade e sua compulsão, sem pudor, sem senso, sem limites.

Os ataques sincronizados a determinada figura ou grupo se tornaram frequentes. Ataques em massas, ofensas, assassinatos de reputações, destruição de empregos, cargos, empresas, por ideologias e por ignorância. 

Uma falsa sensação de proteção, de anonimato, de segurança que invadiu os milhares de internautas do país. Mas que tem sido combatido e descoberto pelas Delegacias de Crimes Cibernéticos. Criminosos tem sido rastreados, capturados e preso pela Polícia. Processos correm em todas instâncias para punir os que fazem o mau uso das ferramentas de acesso.

Vítimas estão mais seguras para denunciar seus algozes. 

A ferramenta que deveria tirar as pessoas do abismo, hoje faz com elas vão, por conta própria, para dentro de um curral intelectual.

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