Maria de Padilla, antes de pomba-gira, mulher

Muito cultuada no Brasil como entidade, a verdade histórica de Padilla conta um caso de amor, de família e morte primária. Sem magia negra e com uma trajetória curta e marcante.

Nascimento/Origem

Nascida em Palencia no ano de 1334, Maria de Padilla pertenceu a uma família nobre Castelhana, filha de Juan García de Padilla (pai) e María González de Hinestrosa (mãe) que eram originários de Padilla de Abajo (anteriormente Padiella de Yuso) – um município espanhol localizado na província de Burgos, região onde os membros eram pessoas destacadas na sociedade da época. Seu irmão, Diego García de Padilla, era mestre da Ordem de Calatrava (Ordem dos Templários que recebeu domínio sobre o Castelo de Calatrava, o Papa reconheceu a Ordem Religioso Militar de Calatrava).

Em algumas crônicas é comum ler que Padilla era uma moça muito bonita, de boa cultura e conhecimento e de pequena estatura.

Dom Pedro I

Dom Pedro I, o Cruel – rei de Castilla, conheceu Maria de Padilla através de João Afonso de Albuquerque, senhor de Albuquerque e mordomo-mor de Maria de Portugal, que por sua vez era rainha de Castela. Dom Pedro I estava em uma expedição de verão às Astúrias, na costa, para combater o meio-irmão Enrique de Trastámara que estava revoltado. O rio materno de Padilla, Juan Fernández de Hinestrosa, que era chefe particular do rei teve influência no encontro, como relata a crônica escrita por Pero López de Ayala; segundo ele, o rei foi para Gijón, no principado das Astúrias, e lá avistou Padilla que estava na casa de Dona Isabel de Meneses, esposa de Dom Juan Alfonso de Albuquerque.

Pouco tempo depois de conhecer Dom Pedro I, Padilla, com 18 anos, se tornou sua amante, pois ele estava comprometido a filha do Duque Pierre I de Bourbon, e passou exercer grande influência nas suas decisões mais importantes. Graças ao desempenho dela, Dom Pedro I, aos 19 anos, escolheu governar como autocrata em 1353 recebendo grande apoio do povo da época. Nessa época, foi arranjado o casamento com Branca de Bourbon para fortalecer laços políticos e formar uma aliança entre Castela e França.

Bourbon chegou em Valladolid, na Espanha, no dia 25 de fevereiro de 1353, contra sua própria vontade, com o seu séquito que era chefiado pelo Visconde de Narbona, para assumir seu lugar de esposa de Dom Pedro I de Castela. Nesse dia, Dom Pedro I estava com Maria de Padilla em Torrijos, ela estava para dar à luz a primeira filha do casal.

No dia 3 de junho de 1353 foi realizada uma cerimônia de boda entre Dom Pedro I e Branca de Bourbon, Dom Juan Afonso de Albuquerque e Leonor Aragão foram padrinhos nesse festejo. Passado três dias do acontecido, Dom Pedro I rompe com Bourbon, e respectivamente com a aliança francesa, e abandona sua esposa pra ir até Puebla de Montalbán encontrar-se com Padilla.

Bourbon foi exilada e instalada em Medina del Campo com a mãe do rei, Maria de Portugal. O destino de Bourbon gerou muitas mudanças. O Visconde de Narbonne junto com outros cavaleiros franceses que acompanharam a rainha, teceram queixas contra o rei através das fronteiras.

A decisão do rei dividiu a sociedade e alguns tomaram partido da rainha exilada. O Papa Inocêncio VI o ameaçou de excomunhão. A pequena nobreza, incluindo o tio de Padilla, a comunidade judaica e a burguesia urbana apoiaram a decisão de Dom Pedro I e Enrique recebeu apoio incondicional do rei aragonês e da alta nobreza. Seus três irmãos bastardos, filhos do rei Alfonso XI com sua amante Leonor de Guzmán, Enrique, Fadrique e Tello ficaram revoltados com a decisão e se tornaram inimigos.

O conflito deu origem a Primeira Guerra Civil Castelhana, e apesar de ser descrito como uma guerra de sucessão teve como objetivo cortar poderes político de Dom Pedro I. Os apoiadores trataram Dom Pedro I como O Justiceiro e os inimigos como O Cruel.

Em 1354 foi realizada em Zamora as “Vistas del Tejadillo” entre Dom Pedro I e os partidários de Blanca de Bourbon, ambos lados traziam uma comitiva com cinquenta cavaleiros armados. Dom Pedro I forçou a anulação do casamento. As informações conflituosas chegam ao pontífice que contatou Bentrán, bispo de Sena, e foi formado um processo canônico contra os bispos de Salamanca e Ávila, que apoiaram o rei, houve uma ordem para que ele abandonasse Juana de Castro, com quem teve um caso mas não havia se casado, viúva de Diego de Haro e se juntasse a esposa Blanca de Bourbon.

Casamento

Juntos, Padilla e Dom Pedro I, partem para Olmedo, cidade na província de Valladolid, onde realizaram um casamento secreto. Ela pediu ao Papa a permissão para fundar um monastério em sua província natal como tentativa de amenizar as ameaças deferidas pelo Papa.

Padilla ganhou um palácio em Sevilha, no Reales Alcázares, onde estabeleceu residência oficial. Seu bom gosto influenciou na arquitetura do local e nomeou vários banhos famosos no complexo. A fundação do Reales Alcázares em 913 se deu ao propósito de acolher o líder do Califado de Códoba, nos séculos seguintes passou por muitas obras e expansão. A entrada para o complexo dá-se através da Puerta del León, localizada na Plaza del Triunfo, e que desemboca no Patio del León, foi local de importantes reuniões, encontros e comércio de trocas com o novo mundo.

A mando do Califado Almóada, no século XII, o complexo atingiu em sua extensão à Torre Abd El Aziz, na Avenida Constitución, com grande número de palácios e uma passagem secreta que conduzia à mesquita – que hoje é uma catedral – do reino, para que o rei pudesse participar das atividades religiosas sem manter contato direto com o público. Com a reconquista cristã, os novos reis decidiram demolir boa parte das construções mouras e substituí-las pelos palácios de Alfonso X – conhecidos como Palácio Gótico e pelo Palácio de Pedro I (1360) que ficou conhecido como Palácio Mudéjar. Este Palácio ficou famoso por ter labirintos e exuberantes azulejos de cerâmica.

O complexo de Reales Alcázares conserva os maiores monumentos arquitetônicos da Espanha, o mais antigo em funcionamento na Europa e nos dias de hoje ainda é morada da família real. O Palácio Gótico mantém viva as lembranças de Maria de Padilla, passando por uma pequena passagem próximo ao Lago de Mercúrio acessa o local onde Padilla tomava banhos com a água que era captada da chuva através da instalação feita, cheio de mistério e quietude com arquitetura característica que oferece um clima de espaço secreto.

Conta-se que ela gostava muito dos jardins, onde passava considerável parte do seu tempo, com uma natureza verde exuberante que encanta com o enigmático misturado a alta elegância e bom gosto.

Dom Pedro I também presenteou Padilla com a Hacienda de Torre de Dona María, localizada em Dos Hermanas, que recebeu esse nome em sua homenagem. De planta retangular, a Torre Dona María recebe destaque especial e marcante dentro da fazenda, com dois andares e com terraço de ameias, é acessada através de um pequeno portal feito com um arco pontiagudo e duas colunas adicionais. O térreo funciona como sacristia e é conectado à capela. Há uma porta de entrada com arco de ferradura emoldurado por um alfiz decorado com gesso. O espaço é acessível a casa e a mansão através de uma porta de acesso para a principal sala de jantar. Mais tarde, a fazenda foi usada como local de recreação para os reis. Ainda mantém viva as memórias primordiais.

Dom Pedro I sofreu grande pressão política para que retomasse seu casamento com a rainha. Transferida do cárcere por inúmeras vezes e sensibilizando as cidades em que passava com a sua causa, em 1361 Bourbon, com 25 anos, foi envenenada e morta pelo besteiro Juan Perez de Rebolledo, a quem o rei exigiu que ela fosse entregue.

Filhos

Juntos, Maria de Padilla e Dom Pedro I, tiveram quatro filhos:

Beatriz, nascida em 1353, infanta de Castela, nasceu na Câmara Municipal de Torrijos, no local passaram inúmeras temporadas e foi comemorado o nascimento da primeira filha com uma grande celebração que teve cruzamento de lanças, nela que ela sofreu uma lesão no braço durante o torneio.

Mais tarde Beatriz tornou-se freira na Abadia de Santa Clara.

Constanza, nascida em 1354, infanta de Castela. Quando Constanza nasceu, em Castrojeriz, Padilla foi até o Papa pedir permissão para fundar o mosteiro, revelou ao Papa seu desejo de tornar a vida penitente em no mosteiro (consta nos documentos papais que vieram de Avignon). Com o aval do Papa, o Mosteiro Real Santa Clara, em Astudillo, foi fundado em 1353, a primeira abadessa foi Juana Fernández de Hinestrosa, tia de Padilla.

Em 1371, em 21 de setembro Constanza se casou com João de Gante, Duque de Lencastre, em Roquefort-sur-Mer, na Aquitânia. O marido foi pretendente ao trono castelhano entre 1372 a 1387. Juntos tiveram uma filha:  Catarina de Lancaster, que mais tarde se casou com Henrique III de Castela.

Isabel, nascida em 1355, infanta de Castela. Mesmo ano que nasceu Juan de Castilla, filho de Juana de Castro, que foi trancado na fortaleza de Soria e feito como refém de garantia quando a paz foi assinada entre Enrique II de Castilla e o duque de Lancaster. O irmão, Juan de Castilla, era receptor de todos direitos sob a herança do pai, Dom Pedro I, caso alguma das filhas viesse a morrer.

Isabel se casou com Edmundo de Langley, Conde de Cambridge no dia primeiro de março de 1372, em Hertford. Em 1385 ele tornou-se Duque de York. Juntos tiveram três filhos Ricardo, Constança e Eduardo Plantageneta

Afonso, o último filho, nasceu em 1359, era príncipe herdeiro de Castela, mas morreu de peste negra.

O reino estava prestes a acabar no poder da monarquia inglesa, devido a situação, em 1388 decidiram cessar a luta casando os filhos Enrique III de Castilla e Catalina de Lancaster (filha de Constanza), que receberam o status de príncipes das Astúrias pelo acordo de Bayonne, em imitação do Principado de Gales , típico do sucessor do trono inglês.

Morte

Maria Padilla morre durante a pandemia da peste bubônica em 1361 (um ano antes do seu filho herdeiro), no Alcazar – pelas contas históricas com 27 anos. Seus restos mortais foram sepultados em Astudillo, onde ela tinha fundado o convento. Dom Pedro I nunca se conformou com a morte prematura da mulher amada, um ano depois numa Corte celebrada em Sevilha ele declarou diante dos nobres que Padilla tinha sido sua primeira e única esposa. O Arcebispo de Toledo considerou justas e honrosas a razões que Dom Pedro I teve para abandonar Branca de Bourbon e a Corte reconheceu Maria de Padilla como a legítima rainha.

Seus restos mortais foram então transferidos para a cripta da Capela dos Reis, na Catedral de Sevilha. Seu nome foi conhecido e sua história é vida nos locais onde viveu, nomeou ruas e ao complexo balneário, no antigo palácio real, foi inspiração de gravuras e pinturas, além de uma ópera composta pelo prolífico italiano Domenico Gaetano Donizett.

O herdeiro ao trono, Alfonso, também foi transferido para a Capela dos Reis.

Maria Padilha, a entidade

Não se sabe ao certo quando apareceu pela primeira vez a entidade Maria Padilha, tão pouco quem foi seu primeiro médium. É uma entidade brasileira, na linha das pomba-giras, muito cultuada para feminilidade e para o amor, conhecidas como grandes conselheiras, costumam atuar em relacionamentos mal resolvidos, em abertura de caminhos, auxílio para empregos, e mais.

Algumas vertentes acreditam que ela seja esquerda de Iansã, já outras que seja esquerda de Iemanjá. Geralmente essas entidades gostam de usar vermelho e preto, bebem champanhe, fumam cigarros doces e cigarrilhas, gostam de perfumes, joias, danças e costumam gargalhar na incorporação e durante os trabalhos, outra característica marcante é o movimento que faz com sua saia, sempre com uma mão apoiada na cintura. As guias também são vermelhas e pretas.

É uma entidade muito conhecida e muito respeitadas nas religiões afro-brasileiras. Sua chegada é marcada pelo forte cheiro de perfume feminino.

Existem muitos nomes de trabalhadoras na sua falange, como Maria Padilha das Almas, do Cemitério, da Encruzilhada, etc.

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