Resenha: ‘Beleza’ de Roger Scruton

Neste curto livro, o filósofo estético Roger Scruton vai basicamente levantar a seguinte questão: qual a importância da beleza em nossas vidas, e como identificá-la através de um bom juízo estético pautado em fundamentos racionais? Scruton logo de início irá reconhecer que existe uma certa dificuldade metafísica em definir a beleza, o que não configura-se como sendo uma impossibilidade. Apesar disso, Scruton sintetiza a sua abordagem, dizendo que a beleza está presente em todas as áreas da vida. Ele começa discorrendo sobre a beleza humana, dando um foco considerável sobre o papel da razão no ato de classificar algo como belo; ademais, ele se apoia no pensamento de Kant, que dizia que a moral deve ser racional, e que nossos desejos devem ser regidos pela razão.

Scruton também critica o subjetivismo presente na mentalidade pós-moderna, que tenta classificar algo como belo baseando-se apenas em suas expressões e não em suas representações. Ele também questiona sobre o utilitarismo cultural, que transformou a beleza apenas em um meio para se chegar a alguns fins, como por exemplo, o imediatismo em saciar desejos sexuais. O filósofo também irá trazer à tona a beleza natural, e ao que parece, ele defende que a beleza natural não se configura como sendo arte, pois, não há uma interferência humana que a molda para fins artísticos. Scruton também traça parâmetros sobre a beleza cotidiana, ponderando seus impactos na vida ordinária das pessoas, como por exemplo, quando diz que os jardins são tanto manifestações da beleza natural quanto molduras artísticas.

Outro ponto abordado por ele, é sobre a beleza artística. Ele critica o relativismo cultural que o pós-modernismo trouxe consigo, pois, nas palavras do próprio Scruton: “Se tudo pode ser considerado arte, qual o propósito e o mérito de conquistar esse título?”[1] Se não há um crivo, qual o louvor em ser chamado de arte? Sua indignação se dá pelo fato de ter que ver muitas coisas sem sentido sendo consideradas arte, como por exemplo, o episódio em que Marcel Duchamp assinou “R. Mutt” em um urinol, e o expôs como obra de arte. Apesar de ter sido uma ironia de Duchamp, Scruton sagazmente conseguiu notar que aquela atitude remetia a um comportamento humano corriqueiro face à arte.

Mais para o final do livro, o autor vai nos presentear com uma boa crítica à pornografia. Entende ele que esta é uma das formas mais nocivas de se prejudicar a beleza, pois, configura-se como sendo um ato de dessacralização contra o ser humano, que possui fins muito maiores do que apenas se tornar objeto de satisfação do outro. Scruton faz também uma distinção entre arte erótica e arte pornográfica. A primeira consiste em representar as relações humanas por meio da corporificação, ou seja, o corpo é um meio de se criar os vínculos. Já a segunda, volta-se para o corpo como sendo um objeto e fim em si mesmo; ou seja, não há necessidade de relações serem construídas ou comunicadas.

Nosso filósofo encerra dizendo que a arte aponta para o transcendental e reflete os anseios teleológicos de seus expressores. Para ele, por estarmos atolados em ilusões e licenciosidades (em virtude das fantasias do movimento kitsch e as dessacralizações profanas, respectivamente), não conseguimos compreender o real objetivo da beleza, que é nos afastar da dessacralização e nos conduzir ao sagrado e ao sacrificial. Por não termos essa percepção, Scruton vai entender que a beleza está sumindo deste mundo, e isso é verdade, pois basta que olhemos ao nosso redor e vejamos o que está sendo valorizado e tido como primordial à existência humana.

Obviamente, não falei tudo sobre o livro, até porque esta é apenas uma resenha sintetizada. Mas acredito ter conseguido transmitir a essência da obra. Sugiro esta leitura para todos aqueles que querem compreender o real papel da beleza neste mundo.

Por Jhonata Guimarães.

[1] SCRUTON, Roger. Beleza; tradução Hugo Langone. – São Paulo: É Realizações, 2013, p. 107.

2 comentários em “Resenha: ‘Beleza’ de Roger Scruton

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  1. Obrigado por compartilhar minha resenha sobre este fabuloso livro.

    Deus queira que mais pessoas se interessem pelo assunto, buscando por vias seguras e de credibilidade, como por exemplo Roger Scruton.

    Obs: O comentário acima não foi corretamente vinculado a mim, rsrs.

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  2. Obrigado por compartilhar minha resenha sobre este fabuloso livro.

    Deus queira que mais pessoas se interessem pelo assunto, buscando por vias seguras e de credibilidade, como por exemplo Roger Scruton.

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