O que aconteceu no Chile após o início da vacinação?

Em 20 dias, internações em UTI aumentaram em 80% na faixa etária entre 40 e 49 anos, mas curva diminuiu 20,4% no grupo acima de 70 anos, que iniciaram a vacinação, o que pode ser um sinal da eficiência da vacinação.

Iniciada no final de dezembro, com a vacina de mRNA da Pfizer, a campanha de vacinação contra a Covid-19 no Chile alcançou nos primeiros três meses 37% da população com a primeira dose e 26,5% com as duas doses (90% com a CoronaVac). A grande oferta de vacinas fez do programa imunização do Chile estar entre os cinco mais avançados do mundo. Mas segundo especialistas, ainda é cedo para acabar com as medidas básicas de prevenção, antes de alcançar 70% de imunização necessários.

O Chile começou a acelerar a vacinação no início de fevereiro. Este gráfico mostra a porcentagem de primeira dose aplicada.
A segunda dose começou a ser acelerada a partir de 02/03.

É óbvio que somente 26,5% de vacinados com a segunda dose não impediu o Chile de viver o seu pior momento na pandemia da Covid-19 até aqui. Importante lembrar que a formação de resposta imune se inicia cerca de 15 dias após a segunda dose.

Com mais de 8.000 contágios diários nos últimos dias e um recorde de ocupação de leitos de UTI, os chilenos enfrentam uma forte segunda onda. Como o país chegou a esse quadro?

A resposta é que uma propaganda excessiva do governo vangloriando o programa acabou provocando uma falsa sensação de segurança na população somada à chegada de novas variantes do vírus. A queda dos casos da primeira onda no fim do ano passado levou ao afrouxamento das restrições de circulação e flexibilização das atividades comerciais.

Em janeiro, o governo reabriu academias, igrejas, restaurantes e até cassinos. Um erro que está custando, por dia, a vida de mais 100 chilenos, três vezes mais do que o número de vítimas da doença em dezembro, que era de 30 mortes. O que acontece quando há um aumento repentino de mobilidade com um vírus altamente transmissível em uma comunidade que ainda não possui cobertura vacinal mínima de 70%?

Em um período de 20 dias, entre 17 de março e 5 de abril, o número de internações em UTIs voltadas para o tratamento da Covid-19 chegou a subir 80,3% na faixa etária entre 40 e 49 anos. A presença de chilenos com menos de 39 anos aumentou 75,6% neste mesmo intervalo nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). Enquanto a propagação segue em escala crescente entre os mais jovens, o número de pacientes internados em UTIs com mais de 70 anos apresentou uma redução de 20,4%, no período mencionado, um sinal relacionado à efetividade da vacina que foi aplicada nesta faixa etária.

Dados mostram queda nas internações em UTIs de pacientes com mais de 70 anos. Foto: Governo do Chile.

O ex-ministro da Saúde do Chile, o médico Jaime Mañalich reconhece que o afrouxamento das regras e o início da vacinação pode ter transmitido uma falsa sensação de segurança para a população, como se a pandemia estivesse totalmente controlada. “Uma liberação das pessoas que fizeram festas super contaminantes. Tivemos um problema muito sério de fiscalização no começo do verão e só agora voltamos a ter regras mais rigorosas”, afirmou Mañalich.

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, de São Paulo, responsável pela produção da vacina Coronavac no Brasil, está atento aos dados do Chile. “É um resultado de acordo com o esperado em um ambiente de vacinação. Esta queda importante do número de casos graves em idosos reflete o efeito da vacinação”, afirma Dimas Covas à ÉPOCA. Ele diz que resultados semelhantes são observados em países que alcançaram um percentual elevado de imunização em relação ao total da população.

O Chile é um exemplo de que não dá pra relaxar com os cuidados necessários antes de se ter uma cobertura vacinal necessária de 70%, no mínimo. Até lá, é necessário reduzir a taxa de transmissão, principalmente entre a população não vacinada que não deve ter a falsa sensação de segurança.

*Com informações da ÉPOCA.

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