Ômicron: ainda não podemos traçar um cenário nem otimista, nem pessimista

Ainda é cedo para traçarmos um cenário otimista ou pessimista, baseado nos poucos dados que temos por enquanto, afirma Mellanie Fontes-Dutra, Biomédica e divulgadora científica.

Os estudos para saber se a nova cepa do coronavírus Ômicron consegue diminuir a eficácia das vacinas ainda foi iniciado há poucos dias, portanto é cedo para concluirmos algo. Entretanto, tão precipitado quanto o pessimismo é acreditar que a pandemia é página virada.

O que se sabe até então é que ômicron é mais transmissível em relação às outras variantes conhecidas. Só por isso já é motivo para tomarmos todos os devidos cuidados, pois o que gera mais mutações é a transmissão inclusive para variantes cada vez piores. Sem hospedeiro não tem vírus. Exatamente por esse motivo ômicron é considerada uma “variante de preocupação” (VOC) pela Organização da Mundial da Saúde (OMS).

Também é cedo para concluir que a variante ômicron só causaria quadros leves de covid-19. Essa informação, propagada depois do relato da doutora Angelique Coetzee, presidente da Associação Médica da África do Sul, é verdadeira. Mas talvez não valha para todo mundo, tendo em vista que a maioria dos infectados com essa variante foram jovens.

Essa nova variante, que foi identificada inicialmente na África do Sul, possui mais de 50 modificações em seu genoma em relação ao vírus original, 32 delas na famosa proteína spike, usada para infectar as células. Outras variantes de preocupação têm só quatro, cinco, seis mutações nessa mesma região da spike.

A boa notícia é que as farmacêuticas Pfizer/BioNTech, Moderna e Johnson&Johnson anunciaram nesta segunda-feira (29) que já estão trabalhando em vacinas com alvo específico para a ômicron.

Diferenças nas mutações entre as variantes delta e ômicron do novo coronavírus — Foto: Hospital Bambino Gesù, de Roma

O surgimento da variante ômicron na África do Sul escancarou um grande problema para o controle da pandemia: A desigualdade na distribuição de vacinas. Países com baixa taxa de vacinação são mais propícios ao surgimento de novas variantes, que podem prejudicar também os vacinados.

Essa imagem de 25 de novembro indica a distribuição das doses totais de vacinas contra o COVID-19 no mundo. Apenas 53% da população mundial tem pelo menos 1 dose.

Nós, como médicos, temos preocupações diferentes das de gestores, governantes, economistas”, disse o médico Luiz Vicente Rizzo, imunologista do Albert Einstein. “E, do ponto de vista da saúde, não chegou a hora ainda de tirar a máscara, que é chata mesmo, ou de pular Carnaval. E isso, fique claro, mesmo antes de ômicron.

O médico afirma que só poderemos ficar mais tranquilos “Quando pelo menos 80% da população de todo o país estiver vacinada. Para entender por quê, basta a gente olhar para o que está acontecendo na Europa, com taxas de vacinação girando em torno de 60%.”

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